A volta ao Cinema e os novos hábitos

A volta ao Cinema e os novos hábitos

A pandemia continua. Máscaras, álcool em gel e cuidados fazem parte de nossas vidas.
Horário: 18h5min do dia 20/05/2021. Cinema Reserva Cultural, na Avenida Paulista. Na bilheteria, não há fila. Cartão de débito na mão: R$ 22,50 (meia entrada-estudante). Verifico que os protocolos de segurança são rigorosos. Álcool em gel lambuzando minhas mãos.

A sessão do filme MEU PAI começa às 18hh40min.
Escolho um lugar no meio da sala. Nem muito perto, nem muito longe da tela.
Ingresso na mão. Ainda dá tempo para um capuccino e um daqueles deliciosos bolinhos, as “madeleines”, da cafeteria.
Na mesinha, olho ao redor da sala de espera: exatamente 1 ano e dois meses desde a última vez que lá fui. A livraria fechou. O restaurante continua funcionando. As coisas mudaram por lá. Mas ainda é CINEMA. CINEMA de rua. Não é CINEMA dentro de um shopping. CINEMA que estou acostumado e CINEMA ao qual eu gosto de ir.  Novamente meu tubinho de álcool em gel é usado.
Hoje, sem pipoca: meu retorno à sala de cinema não foi perturbado por quaisquer distrações. Quero curtir cada momento da exibição do filme. Quero ver até os trailers antes do filme. Tudo importa nesta sessão.
Ingresso na mão. Sala 2. Dou-o ao bilheteiro. “Boa noite” e nos cumprimentamos. Ele rasga o bilhete. Devolve-o para mim. Guardo-o com cuidado. É como se fosse a minha primeira vez.
Sento exatamente na poltrona indicada. Ninguém na minha fileira, nem nas fileiras acima nem na fileira abaixo. Um casal conversa animado numa das fileiras atrás de mim. Uma senhora numa fileira bem lá na frente.
Com calma, na cadeira, aguardo o início da sessão e  molho novamente minhas mãos com álcool em gel.
Na tela, instruções sobre a Brigada de Incêndio. As saídas de emergências continuam no mesmo lugar.
Os trailers! Nunca imaginei que ficaria tão feliz por ver trailers de filmes dentro de uma sala de cinema!
“O seu filme já vai começar”, ouço no alto-falante: E o filme se inicia...
O escuro, a tela grande, o som, a imagem: o cinema! Nenhuma TV se compara a isso.
Não fiquem achando que sou um saudosista; um daqueles que vivem falando: “Ah! Na minha época era melhor”: Cinema é cinema; TV é TV. São meios distintos de expressão:
No cinema: somos levados ao interior do filme, experimentamos as dores e as emoções dos personagens; tudo fica mais “visto e notável” dado o tamanho da tela e a imersão que vivenciamos na sala escura, nós temos de ir ao cinema o que por vezes é uma dificuldade.
Na Televisão: somos envolvidos pela história que nos conta, a imersão do filme é limitada dado o ambiente propício à dispersão, nada se compara à facilidade de acesso aos filmes nas plataformas de streaming.
No cinema, se puderem, ou na televisão, ver filmes é um ato de autoconhecimento visto que nos deparamos com personagens/seres humanos em situações limites que nos fazem pensar: “e se fosse eu que estivesse nessa situação, eu faria o mesmo que o personagem fez? Ver filme é um ato de humanidade, pois conhecemos mais sobre o humano no mundo, por isso a importância de nós assistirmos a filmes feitos em países diferentes, com costumes diferentes, línguas diferentes.
Somos todos humanos. E por sermos todos humanos, devemos nos unir para vivenciarmos a nossa profunda humanidade conjunta. Afinal, a dor ou a injustiça do outro, na tela, pode ser a nossa dor vivida ou a nossa injustiça sofrida, aqui no mundo real.
Seres humanos do mundo, uni-vos por um mundo melhor! E um bom começo é: usar máscaras, não deixar de usar álcool em gel e, se possível, mantenha o distanciamento físico. Vamos acabar com essa pandemia o quanto antes e para vivermos, só que de forma melhor, as nossas vidas. Muito aprendemos com essa pandemia: não cometeremos os mesmos erros! E o cinema nos ajuda a sermos humanos melhores.
Carlos Alberto Xavier

Foto: M.K.