Todos cidadãos devem ter acesso aos equipamentos esportivos

Todos cidadãos devem ter acesso aos equipamentos esportivos

Espaços públicos de lazer e esporte: o abismo entre a periferia e a área nobre. Não é de hoje que a periferia é explorada por uma minoria e que os pobres pagam a maior parte dos impostos e recebem a menor parcela de investimentos do Estado. É evidente a diferença e de como são tratadas as áreas mais periféricas em relação aos bairros considerados “nobres”. Faltam infraestrutura, assistência, saneamento e ações para a infância e juventude, que contribuem para um processo de apagamento da história de um povo, além de ir contra a Constituição Federal, que prega direitos básicos para toda/o cidadã/o.

Os bairros do Sapopemba e Anália Franco, por exemplos, ambos localizados na Zona Leste da capital, embora separados por pouco mais de 6 km, apresentam realidades totalmente opostas. No Anália Franco a população conta com uma infraestrutura que possibilita passeios em calçadões e tecnologias modernas à disposição dos moradores, como WiFi com acesso livre, bicicletas para aluguel, o Parque CERET com suas quadras poliesportivas para a prática de esportes como Tênis e Skate. Já no Sapopemba na região Leste, a população está afastada desses espaços estruturados e a luta ainda é por direitos básicos para manter uma vida digna. Equipamentos que possibilitem práticas de esportes, lazer e cultura encontram-se em estado constante de abandono e descaso.
Enquanto os bairros elitistas recebem estruturas de última geração e constante manutenção, resta às periferias o sucateamento de seus espaços e muitas vezes a falta deles para a prática de atividades físicas e esportivas, que são fundamentais na infância e para o próprio desenvolvimento do indivíduo enquanto ser social.
O Brasil possui inúmeros exemplos de atletas que saíram da pobreza e hoje são referências, seja pelo desempenho, pela história de superação ou por recordes e medalhas conquistadas. Tudo alcançado com muito suor e dificuldade. Mas são poucos os que conseguem. Milhares desejam também ter uma chance de ascender por meio dos esportes e acabam frustrados por não terem condições de pagar escolinhas ou não terem acesso a modalidades de alto rendimento em suas localidades. Muitos atletas famosos do futebol começaram jogando bola em campos de várzea e conquistaram experiência disputando campeonatos regionais amadores. Aos poucos, eles foram se destacando nessa categoria, até que um dia tiveram a oportunidade de mostrar o talento para os grandes clubes. Foi assim com o atacante Rildo, que depois de ter jogado no Mocidade FC do Jd Colorado atuou como profissional pelo Corinthians, Santos, Vasco da Gama e hoje está no São Caetano. O nosso Mocidade F.C. está situado na Rua Arvorezinha, 42, no Jardim Colorado.
Hoje por falta de espaço e campos na região, o Mocidade FC têm que disputar suas partidas em bairros vizinhos, o que prejudica a formação de outras categorias esportivas do time, como um infantil ou uma equipe de futebol feminino.
É responsabilidade do poder público possibilitar aos moradores de áreas periféricas, o acesso a equipamentos públicos, quadras poliesportivas, espaços de convivência arborizados e bem cuidados, fazendo valer seus impostos e direitos estabelecidos constitucionalmente.
Paulo Rogério Stramaro, Presidente do Mocidade FC e Gestor Empresarial. 

Foto: Divulgação